Hoje no nosso Blog é dia de apresentar mais um Convidado Internacional direto do México, se trata de Germán Ovando, que atualmente é Preparador Físico das Categorias Sub-17, Sub-13 e Categoria Feminina do Club Necaxa do México, clube que é um dos grandes do futebol mexicano. Participou do Mundial de Clubes realizado no Brasil no ano 2000, ficando em terceiro lugar. Está localizado no estado mexicano chamado Aguascalientes, mais precisamente na capital do estado, cujo nome é o mesmo. Germán nos contará sobre o Trabalho de Força dirigido ao Treinamento Funcional como uma forma de aumentar o rendimento do atleta e prevenir lesões.

Então vamos ao texto, boa leitura a todos!

Um Preparador Físico deve conhecer profundamente a capacidade de movimento do seu jogador, não somente o seu rendimento, mas muito especialmente as suas condições motoras para assimilar adequadamente o exercício que lhe é prescrito, fato que até pouco tempo atrás não era muito levado em consideração.

Os maus hábitos posturais, a dor ou lesões pré-existentes e, inclusive, aprendizagens de técnicas equivocadas, fazem com que o indivíduo adote padrões de movimento disfuncionais, que requerem de um diagnóstico eficiente. No mesmo sentido, um treinamento de qualidade implica, necessariamente, na Prevenção de Lesões, além da melhora específica para o esporte que nos ocupa, neste caso o Futebol.

A tradicional base da pirâmide do rendimento está constituída pela Força, mas se pretende agregar um cimento anterior, mais profundo, constituído pela qualidade do movimento e o controle neuromuscular, entendendo a necessidade de recuperar a função para garantir a persistência e o desenvolvimento da capacidade atlética do jogador no longo prazo.

Para facilitar o entendimento do leitor, entendo necessário apresentar conceitos essenciais básicos. Assim, conceitua-se a Mobilidade como sendo a capacidade que tem o sistema músculo/articular de alcançar uma faixa de elasticidade de acordo a um ângulo de movimento, enquanto que a Estabilidade define-se como a capacidade que possuem determinados sistemas (ósseo, articular, muscular) de manter uma rigidez perante uma carga externa.

Faz-se necessário esclarecer também, o paradigma que a tantos Preparadores Físicos nos confunde como é o Treinamento Funcional, onde desde o ponto de vista de saúde Couceiro (2016) define-o como “a atividade que restaura as funções neuromusculares e/ou musculoesqueléticas, permitindo uma execução de padrões de movimento e gerando uma transferência positiva para os gestos da disciplina desportiva.”

Neste sentido o CORE representa uma parte sumamente importante para poder levar a cabo movimentos saudáveis, o qual compreende todos os músculos do tronco. Funciona, principalmente, para frear o movimento e envolve músculos que cruzam as articulações de esfera e cavidade que possuem conexões distais: Psoas, glúteos, dorsais, peitorais, etc.

Assim sendo, um bom treinamento sempre se dirige aos elementos que se ajudam e potenciam um ao outro ao longo da cadeia corporal, onde para isso, o CORE é o ponto inicial.

Os exercícios de CORE para atletas não requerem de movimento (o que iria em contra do conceito), senão que requerem de maior intensidade, para a qual existem exercícios perfeitamente adequados. Quando o CORE é disfuncional (déficit de ativação dos músculos responsáveis da estabilidade central: Diafragma, transverso abdominal, multífidos, oblíquos internos), todo movimento nas extremidades será disfuncional em maior ou menor escala. A musculatura extrínseca do CORE (reto abdominal e oblíquos externos) e os músculos próximos (por exemplo, os isquiotibiais) serão recrutados no seu auxílio, gerando uma sobre exigência sobre esses músculos, o que poderá derivar em lesões.

Com isso, parece haver uma resistência paradigmática ao conceito “Transferência de Forças” por parte da musculatura estabilizadora do tronco, dito de outra maneira, todos os exercício que se façam e que impeçam com que entre os ombros e o quadril existam movimentos de flexão, extensão, flexão lateral ou rotação é precedido pelo prefixo “Anti- “que indica oposto ao que luta ou previne contra algo. Então dizemos: Exercício de Anti-extensão, exercício de Anti-flexão, exercício de Anti-flexão lateral e exercício Anti-rotação.

Com isso, define-se o Treinamento Funcional como treinar a musculatura segundo sua função prioritária (estabilização ou movimento).

Já seja para melhorar o rendimento, prevenir lesões e/ou dor em alguma região lombar, o recomendável é trabalhar sobre a função de estabilização da musculatura profunda do abdômen ou estabilizadores locais (transverso, diafragma, multífidos), evitando a supremacia dos estabilizadores globais (reto abdominal, oblíquos externos, quadrado lombar), já que é frequente que estes últimos estejam hiper ativados perante a inibição dos anteriores.

Assim sendo, sempre manteremos o critério geral:

·         Do estável ao instável

·         Do estático ao dinâmico

·         Do lento ao rápido

A seguir, exemplos de exercícios considerados Antis:

                        

               ANTI-EXTENSÃO                     ANTI-ROTAÇÃO              ANTI-FLEXÃO LATERAL

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Germán Ovando é Graduado pela Escola Nacional de Preparadores Físicos do México (Campus CECAP). Possui certificação em gestão de carga do trabalho no futebol (Barça Universitas), certificação em treinamento de força da reabilitação ao treinamento, certificação em monitoramento de rendimento, mediante dispositivos GPS (Real Track Systems). Certificação em “Treinamento Inteligente” (treinamento funcional) pelo Grupo Sobre Treinamento.

Quanto a experiência laboral, possui passagem pelo Jaguares de Chiapas categoria Sub-15 (2013) e, atualmente, está no Club Necaxa desde 2013, onde passou por categorias desde o Sub-13 até o Sub-23, sendo que agora é o Preparador Físico da categoria Sub-17, Sub-13 e categoria Feminina, além de auxiliar no monitoramento de rendimento do time profissional.

REFERÊNCIAS

COUCEIRO, Ariel. Certificación en Entrenamiento Inteligente (Entrenamiento Funcional). Grupo Sobre Trenamiento. 2016.