De acordo com Weinberg e Gould (2017, p. 4), a Psicologia do Esporte “(...) consiste no estudo científico de pessoas e seus comportamentos em contextos esportivos e de exercício e na aplicação prática desse conhecimento”. Os autores trazem a respeito de dois objetivos principais sobre os quais os estudos em Psicologia do Esporte debruçam suas investigações, a saber: entender (1) de que forma fatores psicológicos exercem influência no desempenho e (2) como a participação em atividades relacionadas a diferentes contextos de esportes ou de exercícios físicos afetam o desenvolvimento psicológico, a saúde e o bem-estar das pessoas.

De modo geral, para uma atuação ética em Psicologia do Esporte, torna-se essencial que o psicólogo se aproprie dos conhecimentos inerentes a esse contexto de atuação com embasamento científico (Weinberg & Gould, 2017). Além disso, é importante que o psicólogo do esporte conheça sobre as regras e a cultura das modalidades nas quais está inserido (Rubio, 2000), o funcionamento e a forma de gestão do ambiente de atuação, o trabalho dos profissionais de outras áreas envolvidos na atenção ao atleta (Samulski, 2009), os aspectos emocionais e motivacionais que se relacionam com esse contexto (Weinberg & Gould, 2017). Por fim, as intervenções psicológicas se desenvolvem a partir do diálogo com todos aqueles envolvidas na atividade desportiva - o que possibilita a identificação de demandas, necessidades ou fragilidades - e não compreende intervenções rígidas ou pré-estabelecidas por parte do psicólogo.

No contexto do futebol, a preparação psicológica se mostra de extrema importância para que se busque o melhor desempenho em momentos decisivos ou de competições, servindo para qualificar a preparação física, técnica e tática realizada. Além desse trabalho voltado ao rendimento esportivo, a Psicologia do Esporte nesse contexto leva em conta as questões socioculturais e psicossociais envolvidas neste meio esportivo. Sabe-se que é reduzido o número de jogadores de categorias de base que atinge a categoria adulta ou se torna um jogador profissional. Por isso, é importante que os clubes garantam não apenas condições para o desenvolvimento esportivo que sejam favoráveis para uma boa transição de carreira, como também no desenvolvimento global dos atletas que dedicam anos de suas vidas ao esporte e à instituição. Nesse sentido, a Psicologia tem muito a contribuir no trabalho com o atleta e familiares na estruturação de um projeto de vida que também envolva atividades para além do esporte, caso necessário.

Com isso, entende-se que para a implementação de um Departamento de Psicologia em um clube de futebol, em um primeiro momento, torna-se importante um plano de desenvolvimento com métodos de trabalho psicológico que contemplem a observação de treinos, relatos de jogadores, de membros da comissão técnica e de profissionais da saúde. Esse constante diálogo com outros profissionais e com os atletas orienta os objetivos do trabalho a ser desenvolvido. De forma geral, o trabalho psicológico pode se estruturar a partir de duas dimensões principais para a formação dos jogadores: (1) o trabalho focado no rendimento e (2) o trabalho focado no desenvolvimento psicossocial. Tangente a essas duas dimensões apresentadas, encontra-se, também, o trabalho de planejamento e gerenciamento de carreira, sempre levando-se em conta as diferentes demandas de cada faixa etária e de cada etapa do desenvolvimento humano.

Para um melhor acompanhamento e avaliação da eficácia do trabalho realizado pelo Departamento de Psicologia, torna-se necessário o estabelecimento de uma periodização do trabalhado psicológico que seja vinculado aos objetivos de cada ciclo. Além disso, previsões e planejamentos são importantes para manter as intervenções bem alinhadas com os objetivos do time e do clube. Portanto, quanto maior a aproximação do trabalho psicológico com o trabalho da comissão técnica e demais áreas envolvidas na preparação do time, mais efetivos serão os resultados apresentados. Dessa forma, o trabalho desenvolvido não contribui apenas para o desempenho do clube nos diversos campeonatos, mas também para a formação de crianças, adolescentes e jovens envolvidos nesse contexto.

Betina Vidal Damasceno - Psicóloga Clínica e do Esporte, atualmente atuando com categorias de base. Pós-graduanda em Psicologia do Esporte e da Atividade Física pelo Instituto Sedes Sapientiae. Graduada em Psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2018), frequentando cursos de extensão na área da Psicologia do Esporte desde 2015. CRP 06/153108.

REFERÊNCIAS:

Rubio, K. (2000). Quem sou? De onde vim? Para onde vou? Rumos e necessidades da psicologia do esporte no Brasil. In K. Rubio (Org). Encontros e desencontros: descobrindo a psicologia do esporte. São Paula: Casa do Psicólogo.

Samulski, D. (2009). Psicologia do esporte: conceitos e novas perspectivas. (2ª ed). Barueri: Manole.

Weinberg, R. S. & Gould, D. (2017). Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício. (6ª ed). Porto Alegre: Artmed.