O Futebol Feminino está tendo um crescimento exponencial tanto em relação à sua prática quanto ao consumo do esporte em si, pois dados divulgados pelo Ibope, entre 2014 e 2018, mostram que houve um aumento de 30% no tempo médio consumido do futebol por mulheres desde 2015 até 2018, onde no mesmo período, houve um aumento de 51% no tempo médio consumido pela população geral para jogos femininos. (Dino, 2019).

Esse crescimento exponencial referido até 2018, foi mais uma vez comprovado durante a Copa do Mundo da França em 2019, onde 1,12 bilhão de pessoas assistiram ao torneio por diferentes meios, o que fez com que o torneio alcançasse a incrível cifra de 993,5 milhões de indivíduos únicos por pelo menos um minuto na televisão doméstica, o que significou um aumento de 30% no alcance em relação à Copa do Mundo do Canadá em 2015 (Barlem, 2020).

Com os dados mostrados até aqui, fica claro que o Futebol Feminino vem em franco crescimento nos últimos anos, tanto como esporte como quanto produto a ser consumido. E esse fenômeno ocorre em todo o mundo, sendo uma Grande Janela de Oportunidades para ser explorado através do Marketing Esportivo.

Para falar sobre Marketing no Futebol Feminino é preciso primeiro, responder o que é Marketing Esportivo? Para isso recorremos aos autores Shank e Lyberger (2014) que o definem como “a aplicação específica dos princípios e processos de marketing aos produtos desportivos e à comercialização de produtos não desportivos através da associação ao desporto”. Ressaltam ainda que a indústria do esporte está em franca expansão (o que pode ser comprovado com o Futebol Feminino), onde o Marketing Esportivo tem um papel importantíssimo.

Felicio (2009) complementa lembrando que o Marketing é uma ferramenta utilizada para estreitar a comunicação com clientes, colaboradores e sociedade,  onde o Marketing Esportivo agrega valor à marca da empresa envolvida, por meio do simbolismo com os valores do esporte, visando alcançar a superação e estando ligada a este processo emocional de torcida e paixão do público simpatizante.

Ao encontro da questão dos valores, está Caetano (2019) que afirma que um dos legados da última Copa do Mundo Feminina foi a de que a diversidade importa, onde não cabe mais a diferenciação de gênero no esporte ou qualquer outro segmento, sendo que as empresas que não quiseram vincular suas marcas à esse evento, deixaram de ganhar milhões. Um exemplo disso, é uma pesquisa feita pela Accenture Strategy que apontou que 83% dos consumidores brasileiros preferem comprar com empresas que estão alinhadas com seus valores pessoais, não bastando mostrar engajamento apenas quando querem vender um produto, mas sim através de ações e campanhas.

Souza (2019) reafirma essa ideia ao dizer que “ao apoiar o Futebol Feminino, uma empresa reforça seu compromisso com a igualdade de oportunidades e com o respeito às mulheres, uma causa cada vez mais cara à nossa sociedade”.

Com isso, podemos entender que para além de ser uma Grande Janela de Oportunidades para as empresas vincularem as suas marcas e obterem ganhos econômicos, o Futebol Feminino possibilita às suas parceiras um prestígio de valores junto a sociedade em causas como a igualdade de gênero, além da promoção do esporte feminino.

O fato de o Futebol Feminino possibilitar ganho econômico e prestígio, junto à sociedade, as marcas que se associam à ele, pode ser comprovado com o avanço no número de empresas em 2019, após a Copa do Mundo Feminina na França, que começaram ou mantiveram o patrocínio de equipes de Futebol Femininas no Brasil, sem ter qualquer tipo de vínculos com os times masculinos dos clubes. São os casos das empresas:

Giuliana Flores com o time feminino do São Paulo;

Minds English School com o time feminino do Corinthians;

Frigorífico Saudali com o time feminino do Cruzeiro;

Aplicativo de ônibus Buser com o time do Flamengo.

(Fonte: Schnaider, 2019)

Outro ponto a ser destacado quanto ao Marketing no Futebol Feminino é em relação a presença de torcida nos estádios, principalmente, torcida feminina. Para Felicio (2009) é inegável que há um crescimento do número de mulheres que frequentam estádios em treinos e jogos, no entanto, ainda há uma visão de que a mulher é um elemento pouco integrado ao universo futebolístico.

Isso é comprovado por Andreis et al (2019) quando afirmam que ainda existem barreiras e preconceitos em relação às mulheres torcedoras de futebol, o que acaba se refletindo na participação delas na política dos clubes, pois, em média nos clubes brasileiros, existem 300 conselheiros em cada clube, porém a presença feminina na maioria dos casos, não chega próximo aos 10% de ocupação das vagas.

Em síntese, o que se percebe é que o Futebol Feminino ainda é pouco explorado pelo Marketing Esportivo tanto para promoção de marcas/produtos, quanto para o aumento da presença de torcida nesse esporte que vem crescendo a passos largos. Além disso, muitas empresas ainda não se atentaram a Grande Janela de Oportunidades que há no Futebol Feminino para o engajamento de suas marcas assumindo papéis de destaque em campanhas para defender a igualdade de gênero e promover o esporte feminino. 

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REFERÊNCIAS

ANDREIS, G. M.; TANNHAUSER, C. L.; BIEGELMEYER, U. H.; CAMARGO, M. E.; BERNARDI, F. C.; ZANADREA, G. A inserção do Público Feminino no Marketing Esportivo. Revista Destaques Acadêmicos, Lajeado, v. 11, n. 2, 2019. ISSN 2176-3070. 

BARLEM, Cíntia. A modalidade vista como negócio: “Futebol feminino é uma startup hoje no mundo”, 2020. Publicado no site globoesporte.com. Disponível em: https://globoesporte.globo.com/blogs/dona-do-campinho/post/2020/05/25/a-modalidade-vista-como-negocio-futebol-feminino-e-uma-startup-hoje-no-mundo.ghtml, acessado em 14 de out. de 2020. 

CAETANO, Gustavo. A lição que fica após a Copa do Mundo Feminina, 2019. Publicado no site mundodomarketing.com.br. Disponível em: https://www.mundodomarketing.com.br/artigos/gustavo-caetano/38271/a-licao-que-fica-apos-a-copa-do-mundo-feminina.html, acessado em 14 de out. de 2020.

 DINO. Futebol feminino ganha força e cresce no Brasil, 2019. Publicado no site mundodomarketing.com.br. Disponível em: https://www.mundodomarketing.com.br/noticias-corporativas/conteudo/212642/futebol-feminino-ganha-forca-e-cresce-no-brasil, acessado em 14 de out. de 2020.

FELICIO, Juliana Rubem. Marketing Esportivo e a Mulher Torcedora. Monografia apresentada ao Centro Universitário de Brasília (UniCEUB). Brasília, 2009. 

SCHNAIDER, Amanda. Após Copa, marcas seguem apoiando futebol feminino, 2019. Publicado no site meioemensagem.com.br. Disponível em: https://www.meioemensagem.com.br/home/marketing/2019/08/07/apos-copa-marcas-seguem-apoiando-futebol-feminino.html, acessado em 14 de out. de 2020. 

SHANK, Matthew D.; LYBERGER, Mark R. Sports Marketing: A strategic perspective. 5 ed. Editora Routledge. 2014.

SOUZA, Clóvis. Por que vale a pena patrocinar o futebol feminino?, 2019. Publicado no site abcdacomunicao.com.br. Disponível em: https://www.abcdacomunicacao.com.br/por-que-vale-a-pena-patrocinar-o-futebol-feminino/, acessado em 14 de out. de 2020.