A Psicologia necessita desenvolver estratégias para lidar com questões internas e externas dos jogadores, como por exemplo: As expectativas de sucesso, as percepções frente às derrotas e vitórias, as metas pessoais, o comportamento da torcida e as críticas das pessoas ao seu redor (companheiros de equipe, família e imprensa). Além desses fatores citados, o atleta em muitos casos está sujeito a uma rotina cansativa de treinos e jogos e por essa razão percebe-se envolvido por questões como: a ausência de contato com a família, superexposição na mídia e a incapacidade de confessar suas fragilidades, angústias e incertezas para si e para os outros (RUBIO, 2003).

Com isso, entendido o porquê da importância do Departamento de Psicologia, a estruturação do mesmo percorre diversos caminhos, dentre eles:

1 – Esclarecer o papel do Departamento de Psicologia

A estruturação começará pela clarificação do que este setor pode fazer dentro do clube, explicitando as suas funções, seus objetivos e formas de trabalho, para assim desmistificar algumas questões e ampliar seu entendimento, a fim de que os profissionais possam usufruir dos benefícios da Psicologia esportiva.

2 – Aproximação da Psicologia com/na comissão técnica

O próximo passo será a aproximação com a comissão técnica multiprofissional, para pensar em trabalhos interdisciplinares e explicar sobre os benefícios do treinamento de habilidades psicológicas com atletas e equipe multiprofissional, e outras estratégias possíveis. O intuito não é só o psicólogo trabalhar COM a comissão técnica, mas também NA comissão técnica (estando presente, observando, orientando, avaliando e etc.).

3 – Aplicação do processo de avaliação Psicológica

Após o engajamento NA comissão técnica, se inicia o contato com os atletas, onde será de extrema importância explicar as funções e as contribuições da Psicologia do esporte. Um ponto primordial desta estruturação do departamento é que o processo de avaliação psicológica não aplicará apenas testes psicológicos para estabelecer os perfis dos atletas antes de propor estratégias. Este processo também abarcará conversas com os atletas, anamneses, entrevistas, aplicação de questionários, observações em treinos e competições, técnicas de dinâmica de grupo, conversas com a equipe técnica para saber como o atleta é visto e entrevista devolutiva.

4 – Introdução e desenvolvimento do Treinamento de Habilidades Psicológicas (THP)

Considerando o fato de que o problema real na maioria das vezes não são as habilidades físicas e técnicas, mas as habilidades mentais, esta estruturação tem como uma de suas principais propostas a introdução e o desenvolvimento do treinamento das habilidades psicológicas (THP), sendo realizada tanto com os jogadores e os treinadores.

5 – Criação do serviço de Plantão de Atendimento Psicológico (PAP)

O plantão se dá a partir do ato de plantar-se, permanecer presente e disponível para prestar atendimento, tendo como principal objetivo o acolhimento das demandas e sofrimentos dos usuários que buscam pelo atendimento psicológico em condições de urgência. Realiza-se, geralmente, com duração de tempo não sentenciada, pois está a serviço da escuta e da atenuação do conflito de quem dele procura, possibilitando encaminhamentos conforme as queixas apresentadas.

6 – Trabalhar de forma interdisciplinar com o departamento médico

Outra proposta da estruturação do departamento de Psicologia é o trabalho interdisciplinar com o departamento médico com atletas lesionados. Estes muitas vezes se sentem isolados, frustrados, ansiosos e deprimidos, e a Psicologia pode contribuir no enfrentamento da lesão, bem como em sua recuperação.

7 – Atividades de desenvolvimento de equipe

No futebol, as habilidades psicossociais (liderança, comunicação, comprometimento, feedback, e etc.), a coesão da equipe, a relação entre atleta e treinador, as percepções de papel de cada membro, e capacidade de enfrentar estressores organizacionais e ambientais, são fundamentais para o sucesso do clube. Por isso, tais aspectos serão trabalhados com a comissão técnica e com os atletas, de forma separada e conjunta, de acordo com as necessidades e objetivos.

Assim, espera-se que o departamento de Psicologia tenha aprovação dos outros setores do clube e consiga ganhar espaço para suas intervenções e estratégias. Também se espera que a comissão técnica inclua as intervenções da Psicologia nos treinos e competições, e que haja um diálogo constante entre todos os profissionais, além de consolidar-se como um pilar essencial dentro do clube.

Claudio Leão é graduado em Psicologia (Bacharelado) e Filosofia (Licenciatura) pela UNIPAR e Pós-Graduado em Psicologia do Esporte (Especialista) pela UNINTER. Atualmente sua atuação é em:

-Psicologia Clínica na modalidade presencial (clínica, domiciliar e outros espaços) e online;

-Psicologia do Esporte (Consultoria individual de atletas - Treinamento de Habilidade Psicológicas);

-Palestras.

REFERÊNCIAS

RUBIO, K. Psicologia do esporte aplicada. São Paulo: Casa do psicólogo, 2003.

WEINBERG, R.; GOULD, D. Fundamentos da Psicologia do Esporte e do Exercício. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017.