Um dos assuntos que vem gerando discussões no futebol é a concussão cerebral, a famosa “batida de cabeça”. E esse tópico ficou evidentemente em alta com a famoso choque entre o goleiro alemão Karius, do Liverpool contra o espanhol Sérgio Ramos, zagueiro do Real Madrid pelo jogo da Final da Liga dos Campeões da Europa. E após exames complementares com especialistas foi confirmado que o atleta sofreu a concussão cerebral, o que pode justificar suas falhas grosseiras durante o jogo. Tamanha importância tem esse assunto para a FIFA, que se estuda a utilização de “árbitro” de vídeo, provavelmente um médico, para identificar concussão, durante a Copa do Mundo.

Mas se engana quem acredita que o futebol brasileiro não está atento a isso. Sobre o comando do Prof. Dr. Jorge Pagura, neurocirurgião e presidente da CNMB – Comissão Nacional dos Médicos do Futebol da CBF, faz um trabalho educativo e de acompanhamento sobre o assunto com os clubes e médicos do futebol brasileiro.

Mas independente do seu nível de integração com o futebol, seja como profissional, amante ou praticante deste esporte, aqui vão algumas dicas para que você fique atento.

A concussão cerebral é uma lesão traumática do cérebro, que altera o estado de consciência e pode causar muito outros sintomas. Mas atenção! O choque de cabeça pode não causar perda de consciência. Por isso, é importante ficar atento ao atleta após o choque, pois lesões importante podem ocorrer. De qualquer forma, a variação da consciência pode ir desde uma pequena desorientação ou confusão mental, até amnésia (falta de memória) e perda de consciência por vários minutos.

A suspeita de uma concussão cerebral deve ser confirmada por uma avaliação médica, o mais breve possível.

Os sintomas que podem surgir após uma concussão cerebral incluem: desorientação no tempo e espaço, desequilíbrio, dificuldade de comunicação, falta de concentração, tontura, sonolência, cansaço, dor de cabeça, irritabilidade, dificuldade de memorização, dormência e formigamento de extremidades, sensibilidade à luz ou barulho, sonolência maior do que o normal, dificuldade de adormecer, distúrbios visuais (visão embaralhada ou dupla), zumbido, perda de audição, perda de paladar, perda de olfato, náusea, vômito e até convulsão cerebral.

Ah, e mudanças de comportamento também podem ocorrer, tais como as dificuldades no trabalho e nos estudos, modificações nos relacionamentos, desequilíbrio emocional, ansiedade e nervosismo.

Se deixada sem diagnóstico, uma concussão pode colocar o indivíduo em risco de desenvolver a Síndrome do Segundo Impacto, uma lesão que ocorre quando um atleta sofre uma segunda concussão, sem que a primeira tenha sido totalmente recuperada, o que pode ser potencialmente mais grave e até fatal.

A concussão pode ser associada a lesões mais graves, como uma fratura de crânio ou uma hemorragia cerebral. Por esse motivo, todos os indivíduos que sofrem uma concussão, não importa a intensidade, devem ser submetidos a uma avaliação por um médico antes de retornar ao esporte, seja ele um especialista na área como um neurologista, neurocirurgião ou o médico do esporte ou seu médico de confiança.

A recuperação de uma concussão cerebral pode ser prolongada por minutos, dias, semanas e até meses. E em casos raros, o paciente/atleta pode nunca se recuperar. Portanto, se cair ou bater a cabeça fique atento e procure auxílio médico.