Marcar por zona é uma das maneiras de se defender no futebol. As outras são marcação individual e marcação mista (encaixes). O que poucos leitores sabem é que o único tipo de organização defensiva citado que permite variações estruturais é a por zona. É exatamente isso que vou desenvolver no texto de hoje.

Antes disso vamos entender o que é uma marcação por zona. Para o português Nuno Amieiro, autor de diversos livros e artigos – um em especial chamado “Defesa à Zona” – e ex-treinador adjunto do Porto, este modelo defensivo visa “ocupar os espaços do jogo de forma inteligente criando superioridade numérica na região da bola como um dos fatores fundamentais para controlar os adversários”.
 

Amieiro diz ainda que na marcação zona: “a referência alvo de marcação é o espaço, ou seja, nossos jogadores buscam sempre se posicionar nos espaços mais valiosos. E a grande referência posicional é a bola, o que significa que nossos jogadores se movimentam buscando fechar os espaços mais valiosos (espaços próximos à bola e onde ela não pode entrar)”. 

 

A defesa zonal é um processo coletivo que mantém a estrutura tática da equipe. Este autor relacionou vários pontos que considera importantes para a conceituação clara da marcação por zona:
 

  1. Os espaços são a referência alvo;

  2. A preocupação é fechar como equipe os espaços mais valiosos: os próximos à bola;

  3. As referências de posicionamento são a bola e os companheiros;

  4. Cada jogador, de forma coordenada com os companheiros, fecha diferentes espaços de acordo com a bola;

  5. A existência permanente de um sistema de coberturas sucessivas é uma característica vital, escalonando as diferentes linhas;

  6. É preciso pressionar o portador da bola, para este se ver condicionado em termos de espaço e tempo para pensar e executar;

  7. A ocupação dos espaços valiosos permite controlar os adversários sem bola;– Qualquer marcação próxima a um adversário sem bola é circunstancial e consequente da ocupação racional dos espaços.

Resumindo, é um tipo de marcação que visa impedir a progressão do rival através do controle do espaço, não do jogador rival. Entendendo isso vamos ver as possibilidades de defesa zonal.

  1. Zona (passiva). 

Na literatura é chamada apenas de zona. O objetivo é respeitar o desenho tático da equipe sempre que possível, fechando as linhas de passe apenas de progressão do rival, pois não há pressão no jogador com bola que está atrás de onde a marcação se inicia. 

O portador da situação em questão possui todo o tempo e espaço para analisar as opções sem campo e escolher a que julgar melhor para avançar no terreno de jogo. A pressão será feita se a bola entrar no bloco defensivo. Por um lado a defesa se expõe menos ao combate, pois não há contenção e a necessidade de cobertura com grande frequência, também garante maior equilíbrio defensivo e isso traz segurança e preservação do número de jogadores que estão participando da ação de defender, porém como o rival tem uma liberdade muito grande de avanço, o time perde altura no campo com muita facilidade. Então é comum ver uma equipe iniciar sua marcação lá na frente e terminar marcando próximo ao seu goleiro em questão de segundos.

Equipe que se defende mantém o desenho tático 4-4-2, com bastante equilíbrio defensivo (Ocupação das laterais do campo) e sem contenção no portador rival.

 

2- Zona pressionante.

Já aqui, o objetivo é tirar a bola do rival o mais rápido possível. Portanto o portador será sempre que possível pressionado por um jogador do bloco defensivo. 

Os conceitos de contenção e cobertura, que não existiam na zona passiva, passam a existir aqui, além do equilíbrio. A contenção se baseia em impedir o avanço do jogador rival que esteja com a bola. Deve ser feita por um jogador de defesa, ao deixar a linha defensiva, e diminuir o tempo e espaço deste rival. A cobertura se baseia em cobrir o espaço do jogador que saiu para conter o adversário, para que não haja lacunas onde um passe possa entrar. Já o equilíbrio, é a ocupação lateral. Neste caso, há a necessidade de os jogadores que não saíram do bloco fecharem um pouco por dentro para ajudarem na cobertura de espaços deixados pelo companheiro que foi fazer a contenção. Por isso que o equilíbrio é menos amplo que na situação já descrita. Aqui, o risco do jogador que foi fazer uma contenção levar uma bola nas costas e ser eliminado da jogada é maior, assim como da equipe levar uma bola entre as linhas pela falta de cobertura e equilíbrio bem feitos.
A vantagem fica por conta da perda de altura no terreno de jogo ser menos frequente e que a diminuição de tempo e espaço ao portador pode diminuir a eficácia na sua tomada de decisão e o erro pode ser mais frequente.

Volante sai para conter o rival, o outro volante dá um passo para o lado para cobrir o espaço do companheiro, e conta com a ajuda dos pontas, que fecham um pouco por dentro.

 

Ambas as situações de marcação por zona podem ser adaptáveis dependendo do rival que irá ser enfrentado e das características dos atletas. Cabe ao treinador analisar as possibilidades e definir com sua comissão a melhor estratégia. Vale ressaltar que até mesmo uma alternância das possibilidades no mesmo jogo é possível. Pode-se pressionar o rival em determinados momentos estratégicos e em outros não. O importante é o leitor saber que ambas são úteis, tudo depende do contexto.

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